terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Aqui não é o Egito, porra!

É. Tenho que admitir que, dentro do meu coraçãozinho, lá no fundinho, eu estou esperando pra me rebelar junto ao povo do meu país, Uganda. Mas não creio que isso vá acontecer.
As ameaças foram sérias. ONU: estoque comida por uma semana e não saia de casa. Kizza Besigye (adversário derrotado pela terceira vez): Rejeito os resultados dessa eleição fraudulenta e convoco todos às ruas ao estilo egipcio. Povão: Lojas fechadas. Crianças em casa (mentira. é claro que elas continuam na rua brincando).
Nada aconteceu. NADA. Nenhum ato, nenhuma rebelia...NADA.
Todos parecem 'aceitar'  uma eleição completamente maluca, onde o escritório do presidente liga pra você (ligou até pra mim) e te convoca a votar nele. Onde 140.000 mil mortos e 500 mil desconhecidos estão completamente aptos à votarem. Onde, na boca da urna, seus votos são 'verificados' e são distribuidos "agrados".
Enfim. NINGUÉM com quem conversei, e isso inclui uma lista de universitários, lixeiros, seguranças, dançarinas..., ninguém votou. A rebelia foi tão frustrante que se quer foi manifestada nas urnas.
A vida parece continuar independentemente de quem está no poder. Ninguém se quer tem uma opinião formada sobre o malucão que tá no poder a 25 anos. E se alguém tem alguma opinião, ela geralmente é: pois é, não podemos fazer nada, nada mudará.
Isso faz com que meu coraçãozinho, lá no fundinho, deixe de sonhar com a mudança e vá viajar pra um lugar paradisíaco e gastar meus dólares como uma boa turista. E foi isso que fiz.
Passei o período de eleições em uma ilha (Ssese Ilands) no lago Victoria (o maior da África e o segundo maior do mundo).

Era macaco pra tudo quanté lado.

7 comentários:

Paula Bernardi disse...

Que bacana seu blog Barbara! Vou começar a acompanhar! bjao

Guilherme Cicerone disse...

Acho que consigo "compreender" um pouco do motivo que faz ninguém (e digo isso no geral) querer mudar esse panorama africano: o medo. Todas as alterações feitas no país desde a colonização, passando pelas guerras até esse "pano" ditatorial que ainda veste a África, foram feitas de uma forma rude e indelicada que modificou drasticamente a cultura do país.
Talvez seja a cultura um dos principais ítens para compor aquilo que uma nação tem. E isso, a cultura, de certa forma está desgastada...

Estou longe de julgar como é passar por isso, ou como é ser um africano, mas não creio que essa seja uma justificativa a ponto de se dizer "pois é, não podemos fazer nada, nada mudará".
Concordo com você. "Sentar-se e não fazer nada é cooperar com o opressor"... O trauma africano de anos de guerra é extremamente recente e arrisco dizer que, no continente africano, ainda vai levar um tempo para vermos um país longe de transparecer isso...

Mas o que posso dizer para você, Bá, é que isso também me magoa justamente porque também gostaria de ver essa mudança. Justamente porque também é de nosso conhecimento que ajudar a África a resolver um dos seus maiores problemas é confrontar direta ou idiretamente com a própria cultura. E daí o medo.


Segue firme!!!!

Ana Cláudia Muniz disse...

Oi Bárbara!
Estou adorando seu blog.
A Marília me passou.
Desejo tudo de bom pra vc aí em Uganda!
Já melhorou da malária?
Se cuide por aí mocinha.
Um grande abraço!

Artur Bruzos disse...

vou pegar um dia desses e ler todos os textos...muito legal

Sibeli disse...

Lembra o que Che vivenciou na Africa?Ele tentou fazer uma revolução,mas se deparou com a indolência dos povos......

Anônimo disse...

Oi querida,è muito triste essa situação de indolência. Curta os momentos e conheça os usos,costumes,tradições e objetivos de um povo que você sempre quis conhecer.Relaxe e cuide de sua saúde.A vovó te ama.

zenaide disse...

Oi ba e muito triste isso,que bom que nossa familia tem um estrela tão iluminada como vc.amo vc cada dia mais
fica com DEUS